Vou dizer a verdade, escrever se tornou mais difícil a cada ano que passava. E esse blog é a evidência disso: nós postávamos todos os dias em 2011. Em 2012, inventamos um monte de quadros
Acho que conforme nós crescemos nossa criatividade começa a ser engolida por nossa vergonha de falar besteira (o que pode ser bom às vezes, já que escrevíamos muita coisa idiota em 2011) e pela nossa insegurança. Além disso, começamos a parar de enxergar um assunto em tudo o que nos cerca e nada mais parece ser digno de ser registrado, porque tudo se torna chato, normal ou entediante.
Por essa razão eu decidi entrar no blog e ler alguns textos mais antigos, porque assim talvez eu conseguisse trazer de volta a Julia de 2012 que conseguia escrever um texto a partir de qualquer palavra que dessem a ela. Não consegui trazê-la de volta, claro. Mas talvez tenha sido melhor assim, porque ela acabaria escrevendo sobre as Barbies dela ou alguma coisa do tipo.
Então estou aqui com a Julia de 2016, tentando pensar no que nós podemos escrever sobre perdão, vaidade, segredo ou individualismo. Foram esses os temas que a apostila deu para escrevermos a crônica (na verdade há mais alguns, mas eles são coisas que nós já os cansamos de ler sobre, tipo "meio ambiente" ou "adolescência"). Já tentei mais de dez inícios diferentes pra minha crônica, mas nenhum deles parece dar certo. Nem sei realmente o tema que quero, e isso é um saco.
Tenho saudades da época que nossos textos eram tão enormes que todo mundo tinha preguiça de ler. Hoje em dia nós chegamos na metade da página e já não sabemos mais como continuar - então acho que vou parar por aqui.
Júlia
* O título é uma referência a "Poesia", de Carlos Drummond de Andrade:
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
- De Alguma poesia (1930)
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