Bom, como eu e a Júlia estudamos junto, também recebi a tarefa de escrever uma crônica reflexiva com aquelas palavras. A única que ela não mencionou foi a qual eu usei: ventania. Sem mais delongas, a crônica, espero que gostem:
Ventania
Dentro de casa, percebi o ambiente escurecer e abri a porta da sala para espiar o céu. Meus olhos me mostraram uma paisagem acinzentada, enquanto a brisa que chocava-se contra meu corpo fazia os pelos dos braços ouriçarem. Engraçado como essas carícias da natureza são capazes de nos inspirar; principalmente a mim, que tenho o devaneio por costume.
Bastou para que me pusesse a divagar ao mesmo tempo em que o vento prosseguia em sua dança, cada vez mais agressiva, tornando-se ventania e levando objetos perdidos para sabe-se lá onde. Afinal, não era eu também um objeto perdido? Aonde me levaria aquela força invisível exceto pelo rastro que deixava e a falta daquilo que levava?
Eis, pois, questões cujas respostas desconheço. Sei apenas que, naquele momento, quis deixar-me levar pelo mesmo fluxo que balançava as copas das árvores e tomava-lhes algumas folhas. Se até elas deixavam-se ir, por que não eu? Certamente não pertenciam àquele lugar, aqueles galhos já não lhes eram suficientes. Era preciso abandonar as raízes que as prendiam àquilo que já conheciam de cor para conhecer o novo em meio à turbulência, ou acabariam secas, despedaçadas no solo sobre o qual sempre estiveram. Observei uma última vez aquele fenômeno antes de fechar a porta, deixando a ventania seguir seu percurso lá fora. Dentro de mim, entretanto, uma brisa ameaçava um arrepio que percorreu meu corpo todo: o incerto.
Laryssa Valencise
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