sábado, 19 de março de 2016

Idolatria e a quem direcioná-la

Idolatria
substantivo feminino
  1. 1.
    culto que se presta a ídolos.
  2. 2.
    fig. amor excessivo, admiração exagerada.

A tendência à idolatria hoje é facilmente perceptível e frequentemente estimulada pela mídia e pelos meios de comunicação em geral. Notícias direcionadas a um grupo restrito de artistas, políticos e demais figuras influentes expõem o caráter seletivo daquilo que nos é apresentado diariamente. Quantas notícias sobre One Direction já lhe saltaram aos olhos sem que você ao menos procurasse? Acredito que inúmeras. Não seria esse um pequeno exemplo da tentativa de criar um senso comum por repetição? Afinal, "estão todos comentando, como é que você não está sabendo?! Aquela música, já ouviu? Pelo menos sabe que um deles saiu do grupo né? Se atualiza, é o assunto do momento!"
E assim nós nos acostumamos a ingerir um tipo específico de entretenimento, impelidos pela força midiática e da multidão a mantermos uma proximidade maior àquilo que está bombando no momento. Essa experiência catártica inibe o senso crítico e quando percebemos, já estamos nos entusiasmando com uma nova foto postada por tal celebridade no Instagram. Lindíssima, como não amar? É animador se sentir parte de um grupo que cultua algo em comum (fã clubes, religiões), mas nocivo quando o verdadeiro significado daquilo que se admira é perdido em detrimento das maravilhas oferecidas pela comunidade. Por exemplo, por que tantas pessoas gritam e choram ao ver um simples garoto que tem por profissão cantar músicas sobre experiências pelas quais todos nós passamos e somos capazes de colocar em palavras também? É um ser humano como nós.
Entretanto, quando ele come um cheeseburguer, centenas de paparazzis o fotografam e o incrível acontecimento é registrado nas notícias e redes sociais, onde milhares de pessoas comentam sobre o quão sortudo aquele pedaço de pão é em estar nas mãos do dito cujo. Ou seja, essa fantasia, esse endeusamento tem por motor a mídia, que é quem primeiro dita o que se pode classificar como escândalo e o que não merece tanto holofote. Afinal, milhares de pessoas morrem injustamente nas favelas todos os dias, mas quando é que temos a oportunidade de observar a alimentação de um astro, não é mesmo? Foco nele.
A respeito de criadores de conteúdo num geral (artistas, escritores, youtubers, etc), que fique claro: são todos seres humanos como quaisquer outros. Somente alguns fatores os separam daquele seu amigo que toca em barezinhos por aí: eles estão distantes, não têm afinidade com você e são reconhecidos na mídia. Resumindo, as coisas são mais fáceis pra ele, e o seu apoio não é assim TÃO essencial para que ele tenha sucesso. Em compensação, aquele seu amigo aspirante a músico está bem ali, pertinho de você, iniciando uma carreira de forma árdua. Por que então não apoiá-lo? Não digo que você deva parar de admirar tal ídolo, só peço que reflita por um momento se alguém próximo de você não precisa mais de seu apoio - e dinheiro - no momento. Afinal, o que você vê ao seu lado é quem ele é, não uma imagem que criaram dele. 
A respeito de políticos: não façam daquele que, por benefício próprio, se coloca contra aquilo/quem você também se opõe de herói. Ele continua corrupto, só concorda com você - o que indica que deve ter algo errado aí também...

2 comentários:

  1. Uma das coisas que me icomodam, essa idolatria que as pessoas têm por celebridades e o caramba, endeusando pessoas que pensam que conhecem. Não é apenas um "poxa, amo as músicas daquela cantora/banda, ela é demais", é uma coisa extremamente excessiva, como esse exemplo do cheeseburguer😂 Saber pôr as coisas no seu devido lugar é uma questão de maturidade, quão maduras são essas pessoas?

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    1. Pois é. Eu acho importante poder se espelhar em alguém, mas não sei o quão saudável é quando se trata de fanatismo por celebridades. Quer dizer, não é nem um pouco saudável. Mas muitas vezes é uma alternativa para suprir uma carência, para sentir uma identificação...ainda assim, um meio supérfluo.

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